Quem não gostaria de dizer: “Eu tenho a força!”, como profere o personagem de desenhos animados He-Man? Certamente, muita gente. Muito mais que a força física, grande parte dos seres humanos, sobretudo os inclinados à liderança, tem uma sede inesgotável pelo poder de influência, desejam obstinadamente serem capazes de decidir os rumos da vida em sociedade. Alguns, para ter poder, fazem de tudo para chegar lá.
“Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”. Esta frase do ex-presidente americano Abraham Lincoln ilustra bem que a essência do homem vem à tona na medida em que ele se torna poderoso. Como exemplo, imagine um cidadão comum, trabalhador, honesto e que se preocupa com o bem comum. Um dia, ele decide entrar na vida política e consegue se eleger. E, como num passe de mágica, este homem público se embriaga do poder que tem nas mãos e, seus pés, cada vez mais se afastam do chão. Como o primeiro “gole” de poder o deixa em êxtase, ele que mais, mais e muito mais.
Em cidades pequenas, quando o contato entre os poderosos “suseranos” e os “vassalos” é mais comum, é possível ouvir relatos do tipo: “Fulano mudou tanto depois que adquiriu poder!”. Raridades são aqueles que não deixam o poder subir à cabeça e que não se afastam do povo, só retornando a este no período eleitoral.
A cada quatro anos, as relações de poder ganham uma nova face. Novos políticos são eleitos, alguns são esquecidos, surgem novos chefes… Se o seu candidato foi derrotado, aquele cargo já era. Mas isso não é uma regra. Sempre há aqueles que jogam em time que está ganhando e correm para o lado de quem detém o poder, onde a sua função é bajular e obedecer às ordens do mestre. Eis que, pelos compromissos de campanha, bajuladores incompetentes, candidatos derrotados, pessoas sem formação e estudo, sem falar nos que sequer residem na cidade encontram a chance de provar do poder. Já que, por mérito próprio, jamais chegariam a tais postos.
Dizem que quem nunca provou do mel, quando prova, se lambuza. O pior desses cargos de chefia, como se ouve falar, são os servidores da prefeitura que conseguem um “carguinho” melhor e, no uso de suas atribuições, tornam-se chefes arrogantes, perseguidores, obcecados pelo poder e que esquecem que quem manda hoje, amanhã pode voltar a ser mandado. Ninguém é chefe de ninguém, mas alguém está chefe de alguém por um determinado tempo, não custa lembrar.
A verdade é que, infelizmente, a população, no fundo no fundo, pouco se importa quem administra a cidade ou não. Isso se deve ao fato da triste idéia de que todos são a mesma coisa. Quem de fato se preocupa com a prefeitura, são: os servidores públicos que sonham com um plano de carreira e com melhores salários e aqueles que defendem seus próprios interesses, como a manutenção de seus cargos e de seus familiares. Não é difícil ouvir pelas ruas da cidade, pessoas que não tem nenhum vínculo com a prefeitura, que trabalham no Distrito Federal ou que tem seus próprios negócios dizerem que tanto faz este ou aquele.
A respeito do poder, particularmente, acredito que manda quem pode, obedece quem tem medo. Medo de perder o emprego, de ser perseguido, de não ser chamado para compartilhar da fatia do bolo. Realmente, o bom mesmo é o poder da liberdade, da escolha. É poder não ter medo, pois, como diria a escritora Harriet Rubin: “Não há maior poder que a liberdade de cair fora”.